18/05/2020

Bolo de chocolate com ganache de framboesa {da Festa da Pippi]

Regressar.

Hoje é o dia em que muitos regressam após dois meses de confinamento por causa da pandemia. Por muito que tenha custado, não será nada comparado com o aperto no coração e nó na garganta que hoje sentem por regressar. Nada será como antes. Penso em todos mas principalmente na comunidade educativa que hoje tem o maior desafio das suas vidas. Como conseguir ignorar o lado do coração e apenas ouvir a razão quando o seu maior trunfo sempre foi o carinho e o toque o seu meio de transporte?
Só desejo [e Acredito] que corra tudo pelo melhor e que as nossas crianças, que no meio disto tudo são aqueles seres extraordinários que nos ensinam dias, não fiquem com marcas para sempre.

Este bolo que trago hoje é assim como eu descreveria este dia, intenso e que nos fica na memória.
Que seja um bom regresso!

14/05/2020

Os 4 da Maria {Festa da Pipi das Meias Altas)

A Maria fez 4 anos!! 
A nossa menina está tão crescida! 
Este ano teve uma festa bem diferente, sem a correria de crianças pela casa, sem abraços nem beijos da família e amigos mas felizmente, na inocência das crianças felizes há esta magia que permite ver o belo e a alegria mesmo no meio de uma Pandemia, isolada de todos.
O namoro com a Pipi começou no início do ano, quando a Avó Fernanda lhe falou nela. Coincidiu com um fim de semana em que a Maria tinha andado a passear de cavalo, e ao ver no primeiro episódio da Pipi das Meias altas que esta também tinha um cavalo, foi amor à primeira vista. Para mal dos meus cabelos [que estão cada vez mais brancos] a Maria tem mais semelhanças com a Pipi do que qualquer mãe gostaria!!
Preparei a decoração quase toda com coisas que tinha em casa, imprimi umas imagens para fazer os toppers e colar na parede. 
Fiz-lhe uma roupa da Pipi com duas t-shirts velhas e ela adorou!

27/04/2020

Pavlova com lemon curd


Esta ausência não foi por nós pedida,
este silêncio não é da nossa lavra,
já nem Pessoa conversa com Pessoa,
com o feitiço sempre imenso da palavra
Este tempo só é o nosso tempo
porque é nossa a dor que nos sufoca
e faz de cada dia a ferida entreaberta
do assombro que esquivando-se nos toca
Esta ausência é dos netos, dos filhos, dos avós,
é a casa alquebrada pelo medo,
é a febre a arder na nossa voz
por saber que o mal a magoa em segredo
Este silêncio é um sussurro tão antigo
que mata como a peste já matava;
vem de longe sem nada ter de amigo
com a mesma angústia que nos castigava
Esta ausência é uma pátria revoltada
que se fecha em casa sempre à espera
que a febre não a vença nem lhe roube
a luz mansa que lhe traz a Primavera
Esta casa somos nós de sentinela,
à espera que a rua de novo nos console
e que festeje debruçada à janela
a alegria que só nasce com o sol
Esta ausência mais tarde há-de ter fim,
por nada lhe faltar nem inocência;
que se escute o desejo de saúde
anunciando que vai pôr fim à inclemência
Que se abram as portas e as janelas,
que o medo, derrotado, parta sem destino
por ser esse o sonho colorido
que ilumina o riso de um menino."


|José Jorge Letria , 20 de Março de 2020

24/04/2020

Pastéis de nata

Tábua de servir Le Creuset. Parceria Lecuine.pt
Ficar em casa.
Arranjar vontade de não  desistir e aceitar que não somos perfeitos como nos fazem acreditar. Não somos os filhos perfeitos, os pais perfeito ou os companheiros perfeitos. Todos estamos na mesma situação [embora em circunstâncias diferentes] e a culpa não é de ninguém. Há dias mais difíceis mas acredito que atrás das nuvens cinzentas está um imenso céu azul e apenas temos que esperar que o vento as afaste para longe. Temos que continuar a manter o isolamento social e respeitar a distância de segurança para não deitar a perder todo o tempo que já estivemos longe da nossa família e amigos. 
Enquanto não chega o momento de sentar numa qualquer esplanada a saborear um pastel de nata e um café, em boa companhia e sem pensar no inimigo invisível, matamos as saudades com uma fornada destes pequenos em casa!
Fui buscar a receita a um dos grupos de facebook que mais tenho visitado, criado pela Olívia [que é uma das cozinheiras que mais admiro] e adaptei-a. O resultado pode não ser perfeito mas que deu para matar as saudades, deu!

21/04/2020

Bacalhau no Forno à Antiga

Fazer de cada almoço de domingo uma celebração. É isso que temos tentado fazer cá em casa para não cairmos no marasmo que este confinamento tende a trazer. Uma mesa bonita, flores da Horta da Maria, a ementa escolhida com tempo, com direito a entrada e sobremesa.
Não consigo ser assídua em blogues nem contas de instagram ou facebook [com muita pena minha] mas há dias passou-me pelos olhos, num scroll apressado, uma receita de bacalhau que me trouxe lembranças boas, daquelas que aconchegam o coração. Um tabuleiro de bacalhau como antigamente, daqueles almoços de família que habitam as minhas memórias junto dos meus eternos Avós. 
Saudades. As Saudades são aquele sentimento que mais nos assola ultimamente. Saudades do que tínhamos por garantido, como o abraço de quem mais gostamos, dos gestos que fazíamos inconscientemente e que por estes dias nos fazem pensar antes de agir. Por outro lado, a minha realidade não me permite esquecer que temos que dar graças e celebrar o estarmos em casa, na nossa casa com os nossos. Não me canso de dizer que há quem não o possa fazer por vários motivos e é por isso que celebrar à mesa continua a ser uma das coisas que mais gosto de fazer!

17/04/2020

Bolachas de aveia e canela

Dias estranhos, estes que vivemos...
Dou por mim a sair da cama ainda de madrugada porque o sono teima em não voltar. Mas este momento só meu, no silêncio da casa, com a chuva a cair fortemente na rua, traz-me uma estranha sensação de conforto e segurança. O copo meio cheio e a capacidade de ver que tenho um teto para me abrigar do mau tempo, que tenho que ir para o hospital todos os dias e não posso ficar em casa com os meus porque tenho emprego, da loucura que é tratar da casa, da família, dos filhos revezando-me ao senhor cá de casa, mas dar graças por não estar sozinha e ter com quem partilhar este momento único das nossas vidas. Sou do copo meio cheio. Mas há dias em que preciso de repetir estas coisas em voz alta porque o coração pende para o outro lado. O cansaço vai-se acumulando mas há uma coisa que eu tenho a certeza, com amor vamos conseguir ultrapassar tudo isto!
Nos dias mais difíceis, liga-se o forno e faz-se uma fornada de bolachas. Tudo parece melhor com uma chávena de chá ou café acompanhada de uma bolacha!

09/04/2020

Baguetes {com poolish}

É oficial. Virei a padeira de serviço! 
Acho que passou a ser a minha desculpa para desligar de todas as preocupações que nos assolam estes dias e manter a sanidade mental. 
Já partilhei aqui no blogue outras receitas de baguete tradicional e de baguete integral mas como o fermento não abunda nos supermercados, esta receita é a melhor escolha porque leva metade da quantidade. Este é um método em que se usa um pré-fermento (o poolish), onde uma massa húmida é deixada a fermentar de véspera e só depois se juntam os restantes ingredientes. Espero que o tempo que a receita demora a ser preparada não seja motivo para vos fazer desistir! Como "cortamos" na quantidade de fermento, temos que compensar com a "quantidade" de tempo, e esse, é coisa que a maioria de nós tem nestes dias de isolamento social! Se estiverem a trabalhar, não serve de desculpa, porque eu também vou todos os dias para o hospital!!
Antes de arregaçar as mangas, leiam a receita até ao fim, façam uma cábula se ajudar e depois sim, podem começar!
Posts relacionados Plugin for WordPress, Blogger...
blog design by WE BLOG YOU